Uma pesquisa realizada pelos pesquisadores Rylanneive Leonardo Pontes Teixeira, Eric Mateus Soares Dias e Flávia Alessandra Souza de Andrade, membros do Laboratório Interdisciplinar Sociedades, Ambientes e Territórios (LISAT/UFRN), aponta que a não incorporação eficaz dos riscos das mudanças climáticas na gestão de recursos hídricos nas bacias hidrográficas do semiárido brasileiro torna a região mais vulnerável a secas e escassez hídrica. O estudo foi publicado no dossiê Desastres e Adaptação da revista Diálogos Socioambientais.
O artigo, intitulado A emergência da incorporação das Mudanças Climáticas na gestão de bacias hidrográficas do Semiárido Nordestino, destaca a importância de uma agenda de adaptação climática no semiárido brasileiro, com foco nas bacias hidrográficas dos rios Piancó-Piranhas-Açu e São Francisco. Este último é considerado o mais relevante da região, abrangendo vários estados nordestinos.
A escassez hídrica, agravada pela baixa precipitação pluviométrica no semiárido, afeta profundamente as comunidades, especialmente nas áreas mais vulneráveis. A pesquisa indica que, apesar de avanços na gestão das bacias, os Planos de Recursos Hídricos não incorporam de forma eficaz os riscos das mudanças climáticas, o que compromete a segurança hídrica e aumenta a probabilidade de desastres naturais.
Os autores ressaltam que, além das secas, as mudanças climáticas representam novos desafios que precisam ser enfrentados com estratégias adequadas de adaptação. Eles destacam a necessidade de ações que incluam o saneamento básico, a recuperação das áreas de mata ciliar e nascentes, além de medidas para melhorar a qualidade da água e reduzir os impactos na zona rural.
O estudo conclui que, sem respostas eficientes para a adaptação às mudanças climáticas, a escassez de água se tornará mais crítica, afetando diretamente a sustentabilidade das bacias e aumentando a vulnerabilidade social e econômica das populações rurais, particularmente no que diz respeito à agricultura familiar e pecuária.
A pesquisa foi realizada com o apoio do LISAT, vinculado ao Instituto de Políticas Públicas da UFRN, e contou com a colaboração dos pesquisadores em suas respectivas áreas de formação e doutorado.


